Cangurus de manhã, vôlei à tarde
Dia 17/07: cangurus num canteiro de obras antes das 8h e a descoberta do indoor beach volleyball de WA — mais a cena de pedir pra entrar num jogo com desconhecidos e sair com contatos.
Antes das 8 da manhã eu vi meu primeiro canguru. Depois do trabalho, joguei meu primeiro indoor beach volleyball.
Os cangurus no site
O dia começou igual aos outros: saí de casa cedo pra trabalhar. Fizemos o pre-start às 7h.Eu esperava mais um dia de vassoura e rastelo no Stage 15. Mas nesse dia o plano mudou. O supervisor pediu para a gente ir até Stage 13 para mover umas cercas.
Esse Stage 13 é mais “cru”. Ainda está bem no começo do projeto. Então a área ainda é bem “wild”. E foi isso que aconteceu. A gente tava andando pra dentro do site e eu comecei a ver esses bixos pulando. Pra mim parecia que eu estava no filme Avatar. kkkk
Pra quem está na Austrália há mais tempo, isso é a coisa mais normal. Mas pra mim, foi algo diferente.
O resto do dia foi bem normal, apesar de que essa foi a minha primeira sexta-feira de trabalho. Isso significa que o dia termina mais cedo. Nos outros dias, o horário de sair é às 16:40, mas na sexta, a gente sai às 14:30. Melhor ainda: umas 13:40 começou a chover, então cada um foi para o seu carro e a gente ficou esperando lá até dar o horário de ir embora.
Umas 15h Cheguei em casa, joguei as roupas na lavadora, relaxei um pouco, e lembrei que tinha um clube de vôlei que eu queria conhecer.
Indoor beach volleyball: o esporte que eu nunca tinha ouvido falar
O lugar fica a uns oito minutos de casa. Fui sem saber muito o que esperar.
Cheguei lá às 17h, bem no horário que eles abrem. Eles me explicaram como funcionam as coisas por lá; coloquei meu nome numa lista, e paguei a taxa de 25$.
Deixa eu explicar o que é “Indoor beach volleyball”. Primeiro: não é o vôlei de praia que a gente geralmente conhece, e também não é o vôlei de quadra. O clube que eu fui tinha 8 quadras de areia. Cada uma dessas quadras é completamente cercada por redes bem firmes, nas laterais e também em cima, no teto. Essas redes ficam no lugar das linhas divisórias do vôlei de praia.
Aqui está a principal questão do “Indoor beach volleyball”: quando a bola bate nesses redes, o jogo continua. Não parece grande coisa, mas é. Na verdade, isso muda tudo. Muda a estratégia e toda a dinâmica do jogo, por que quando alguém vai atacar a bola, ela não precisa encontrar um espaço vazio na quadra; ela simplesmente ataca a bola pra qualquer lado, com toda a força, pra bater na rede e ficar difícil de defender.
Outra coisa é que geralmente, cada time pode ter qualquer número de jogares, mas geralmente é 6 em cada lado.
A bola também é diferente. É aquelas bolas bem levinhas e baratas, que você geralmente compra pra crianças lá no Brasil.
Tem outras regras também sobre contagem de pontos e mais umas coisinhas. Eu vou deixar uns links de vídeos no Youtube pra quem quiser ver um pouco de como esse jogo funciona.
O que eu acho desse jogo
Acho péssimo. Como eu fiz aulas de vôlei de praia e aprendi os fundamentos e estratégias, esse jogo é completamente diferente do que eu estou acostumado e bem contra intuitivo pra mim. Mas pra quem é mais iniciante no vôlei e só quer fazer um exercício e se divertir, parece ser uma ótima atividade.
Indoor beach volleyball é bastante comum aqui em WA e praticamente não existe fora daqui.
O jogo
Cada pessoa que chega lá no clube, coloca o seu nome em um dos 8 times. Como eu tinha sido o primeiro a chegar no clube nesse dia, eu escrevi meu nome no Team A, e mais tarde, outras pessoas chegaram e colocaram o nome delas no meu time.
O schdule era o seguinte:
17h às 18h - Aquecimento. Pode entrar, jogar e fazer o que quiser. 18h às 20h - Começa a competição. Tem uma tabela que mostra certinho quais times se enfrentam. Cada jogo dura uns 10 minutos eu acho. 20h às 21h - Fim da competição. Eles fazem um “Sizzle”, que é umas linguiças dentro do pão de forma. 21h em diante - Pode contiuar jogando até tarde, enquanto tiver gente.
O meu time
Fui colocado num time de seis: Philipine, Alex, Sarah e Jaya — os quatro franceses — mais o Will, australiano. Jogamos, eu fui me adaptando à bola estranha, o tempo foi passando e assim foi até o intervalo do Sizzle.
A bola da Mikasa e o vôlei de verdade
Quando o jogo do meu grupo terminou, eu vi uma galera jogando com uma bola Mikasa num canto do galpão. Bola de verdade, toque de verdade. Fui lá e perguntei se podia entrar.
Teve uma hesitação. Não foi um “não”, mas também não foi um “claro, vem!”. Deu para sentir que eu estava chegando de estranho num círculo já formado.
Mas deixaram. E aí o jogo foi outro nível. Com a bola certa eu me soltei mais, o ritmo ficou melhor, e eles começaram a ficar mais amigáveis. No final, o próprio pessoal veio pedir pra me adicionar no Instagram. Falamos em marcar outros jogos.
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