Meu primeiro trabalho na Austrália
Na quarta eu saí de casa com uma pilha de currículos para distribuir no shopping do bairro. Na quinta, às 7 da manhã, eu estava num canteiro de obras em Burns Beach.
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Na quarta-feira eu saí de casa com uma pilha de currículos. Na quinta, às 7 da manhã, eu estava dentro de um contêiner num canteiro de obras. A velocidade com que as coisas viram aqui ainda me impressiona.
O dia dos currículos
A quarta começou com preparação: passei no Kmart, comprei uma máquina de barbear, voltei, fiz a barba e saí para distribuir currículo em todos os estabelecimentos abertos do shopping de Nollamara. Porta por porta.
O momento mais interessante foi no IGA, o supermercado do shopping, onde descobri que o gerente é brasileiro. Ele foi direto comigo: eles dão preferência para adolescentes, porque o hourly rate é mais baixo. Mesmo assim me passou o WhatsApp e pediu para eu mandar mensagem. Foi a aula de economia australiana mais honesta que eu tive até agora.
Mal cheguei em casa e o telefone virou o jogo: o gerente de uma agência de recrutamento me perguntou se eu estaria disponível para trabalhar amanhã. Eu disse que sim antes de pensar. Ele pediu para eu levar PPE — o equipamento de proteção individual. Como eu não tinha nada, foi mais uma rodada de Kmart: botas e calça comprida. Capacete, luvas e óculos eu peguei no escritório da agência, em Osborne Park.
Dia 1 no canteiro
Saí de casa às 6h15 e cheguei ao site em Burns Beach às 7h em ponto. A primeira parada foi o contêiner onde estavam o supervisor e o resto da equipe. Todo mundo falando inglês num sotaque que exige o dobro da atenção — e todo mundo amigável o tempo inteiro, o que ajuda.
O trabalho em si: remover cercas de ferro bem pesadas e blocos de cimento. O dia inteiro. Terminamos às 16h e eu fui para casa do jeito que se vai depois de um dia desses — inteiro, mas por pouco.
Dia 2 e a sexta à noite
Na sexta voltamos ao site. Trabalhamos das 7h às 13h30, mas assinamos até 14h30 — uma hora paga de presente, do jeito que eu gosto.
À noite a casa encheu: dois franceses, o Nico e a Sara, mais a Haruru, namorada japonesa do Nico. Pizza, petiscos e conversa até tarde — todo mundo em contagem regressiva para o jogo da França na Copa, que ia passar às 3 da manhã.
Duas semanas depois de aterrissar: primeiro trabalho feito, corpo dolorido, moral lá em cima.
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