Primeira semana em Perth
Desci do avião numa sexta de inverno e, antes de conhecer a casa onde ia morar, já tinha conta no banco e chip australiano. O resto da semana teve praia com chuva, aniversário no Centrelink e o primeiro curso.
Desci do avião numa sexta-feira de inverno — Melbourne primeiro, depois Perth — e, antes mesmo de conhecer a casa onde ia morar, já tinha conta no banco e chip australiano. Do aeroporto fomos direto para um centro comercial: conta no CommBank, SIM da Optus, e só então Nollamara, o bairro que agora é casa.
O primeiro dia ainda teve máquina de lavar e um restaurante coreano à noite, com os amigos da minha irmã. Conheci um monte de gente de uma vez — Chantelle, Karol, Lewes, uma argentina e o namorado indiano dela, cujos nomes eu esqueci injustamente no dia seguinte. Primeira lição da imigração: anotar os nomes na hora.
O fim de semana
Sábado foi de coisas práticas com gosto de vida nova: roupas second hand no shopping do bairro (inverno exige casaco, e casaco de brechó resolve), supermercado e churrasco em casa.
No domingo fomos à praia — no inverno, com frio e chuva aparecendo várias vezes. Tiramos fotos, eu fiz umas filmagens e ainda saí para correr com a Marisa, que tinha vindo para uma festa e acabou dormindo lá em casa. De lá, bar para assistir Austrália x Turquia pela Copa, com cerveja e pizza. A Airle, a cachorra, funcionou como ímã social: gente que a gente nunca tinha visto veio puxar conversa por causa dela. À noite ainda participei da reunião online da comunidade de WHV backpackers (gente do mundo todo no mesmo visto que o meu, comparando notas).
A semana de burocracia
Segunda-feira foi o dia em que a Austrália me cobrou pedágio. A maquininha de cortar cabelo deu problema no meio do corte e eu terminei no cabeleireiro — o corte era 30 dólares, o cara me cobrou 25. Tentei resolver o TFN (o CPF trabalhista daqui) por telefone e não deu certo. Me inscrevi num curso online gratuito de White Card e parei no meio quando descobri que a parte prática exigia comprar equipamento. No fim do dia, fui ao parque me exercitar e conheci um queniano que também está imigrando para cá.
Na terça foi meu aniversário. Comemorei pegando um ônibus cedo para Mirrabooka e passando no Centrelink para resolver TFN e Medicare — não resolvi nenhum dos dois. Ainda entrei numa agência de emprego que não pôde me ajudar, mas o atendente me passou dois contatos. De volta em casa, tomei a decisão do dia: parar de economizar onde não dá e comprar o curso presencial de White Card.
Quarta foi o dia do curso. Cheguei cedo demais e esperei mais de meia hora do lado de fora, no frio, junto com todo mundo. Conheci um australiano descendente de iraniano na turma. Quinta fechei a semana em casa, mexendo num projeto que ainda mantenho do Brasil e aplicando para vagas.
Saldo da semana 1
Conta no banco: feita. Chip: funcionando. White Card: encaminhado. TFN e Medicare: zero a zero. Nomes novos para lembrar: mais do que eu consigo contar. Para uma primeira semana, eu assino embaixo.
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